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A exposição que aqui partilhamos conta a história de Coruche desde os tempos mais remotos, tendo por base o conceito de sagrado. O nosso lado mais espiritual. As nossas crenças, a nossa relação com o transcendente, com o divino… Mas o que é o Sagrado para as gentes de Coruche, para a gentes deste território, deste concelho?

Não quisemos pensar só o presente. Explorámos o nosso passado distante.

Na Pré-História sagrada era a Deusa-Mãe, a terra, onde o culto aos antepassados se encontra materializado em construções megalíticas, não alheias à orientação do astro Sol e à Lua, e em artefactos votivos, nomeadamente nas placas de xisto gravadas colocadas no peito dos mortos aquando dos rituais da morte, muito provavelmente em representação de uma divindade feminina, sua protetora.
 

  
Fotos Nerve Design                                                                          Saiba mais sobre a iconografia das gemas romanas

Com a romanização deste território vários foram os deuses em que se acreditou. Um panteão de figuras humanas com atributos divinos, onde Minerva, deusa do conhecimento e da sabedoria, gravada numa pedra de anel, se tornou a divindade eleita para símbolo deste Museu e o ex-libris deste espaço expositivo. 

Em 711 dá-se a invasão da Hispânia pelos muçulmanos. Origina-se assim um longo período de instabilidade, com os avanços e recuos da linha de fronteira, entre mouros e cristãos, reflexo da oposição de dois monoteísmos. Uma história ilustrada onde o castelo de Coruche se tornou crucial no plano de Reconquista Cristã.

No século XIII, no sopé do monte, o quotidiano da vila de Coruche foi acontecendo ao ritmo dos tempos litúrgicos, aqui marcado pela presença do sino medieval de São Pedro (fundido em 1287), peça central deste espaço, dado o papel que desempenhou na esfera do quotidiano e do sagrado, mas também pelo seu contexto arqueológico de achado. O sino, que outrora estaria no campanário da igreja de São Pedro, foi depositado numa cripta-ossário por se encontrar inutilizado. Encerrou simbolicamente a mesma, encaminhando a alma de muitos que em vida havia servido.

 
Fotos Nerve Design 

No presente as Festas em Honra de Nossa Senhora do Castelo são o que de mais sagrado existe no território coruchense no âmbito da memória colectiva. Se por um lado são um momento de pausa na prolongada rotina dos trabalhos agrícolas, por outro revestem-se de uma importância vital consubstanciada na visibilidade máxima do culto mariano, com a procissão da sua Padroeira, no dia 15 de Agosto, e na cerimónia religiosa da bênção dos campos, que a custódia é destinada a servir. E são precisamente os campos, a terra, o calendário agrícola, mas também os momentos de festa do calendário litúrgico católico – o das festas móveis, como o Carnaval e o ciclo da Páscoa, e o das datas fixas, próximas dos solstícios, como os Santos Populares, Santa Luzia ou o Natal – que aqui tratamos ao longo das quatro estações, regidas pelo Sol e pela Lua. Uma abordagem cíclica interposta num tempo linear.

Assim, questionámo-nos. Poderá o Homem afastar-se da terra? Que resposta poderemos nós encontrar?!

  
Fotos MMC e Nerve Design  

O ser humano faz parte da Natureza, da sua biodiversidade. No entanto, contrariamente aos outros seres vivos, foi-se afastando dela. Ou assim o pensou. Criou uma relação de domínio. Impôs-lhe o ritmo da tecnologia. Mas que futuro? Poderá a cultura respeitar a Natureza? Acreditamos que sim.

O imenso montado de sobro pode servir-nos de exemplo. De testemunho harmonioso, porquanto Homem e montado se equilibram – ainda que com um crescimento a ritmos diferentes –, permitindo o desenvolvimento sustentável. À biodiversidade do montado contrapomos a cultura, produto do pensamento. E o seu produto é tão díspar que da cortiçasimples rolha, se alcança o Universo no seu uso mais espetacular, o da proteção térmica em veículos espaciais, incluindo o Space Shuttle.
 

  
Fotos Nerve Design e MMC 

Entre o Céu e a Terra, a pluralidade humana marca presença.

Folheto

 

 

Actualizado em Quarta, 22 Fevereiro 2017 19:07