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António Badajoz


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No âmbito das comemorações dos 60 anos de alternativa de António Badajoz, o Museu associa-se através da exposição António Badajoz.
 
À semelhança do que sucedeu em 2008, a exposição surge sob proposta, desta feita, da comissão executiva das referidas comemorações.
 
Sendo uma exposição evocativa de uma história com, pelo menos, 60 anos, ela não podia deixar de ser biográfica e organizada de forma cronológica.
 
A história que se conta, pelos textos, pelas imagens, é centrada no toureiro, com algumas referências de enquadramento à sua vida particular. E assim é porque o homem confunde-se com o toureiro, sendo esta a sua marca de identidade mais estruturante, mas também mais conhecida de todos.
 
Desde que nasce António Badajoz até à apresentação em público ou à prova de praticante, o percurso é relativamente linear e, por isso, bem compreendido numa linha cronológica. Mas a partir dessa altura torna-se mais difícil manter um discurso fluido sem constantes recuos e avanços no tempo. Dessa forma, o modelo de trabalho adoptado assentou primeiro no tempo e, depois, nas temáticas, para organizar o discurso. Em síntese, procurou-se narrar uma história organizada pelo tempo ascendente, mas agrupada por temáticas.


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Esta opção resulta inequivocamente da posição de um bandarilheiro no sistema, quer profissional quer social, tauromáquico. Não sendo figura central, onde o discurso se constrói a partir de e para a figura, no caso de um matador ou cavaleiro; o peão de brega trabalha para a figura, tal como o apoderado. É necessário, então, desviar as atenções da(s) figura(s) e passar o bandarilheiro e apoderado António Badajoz a cerne do discurso. Também por isso a organização temática se mostrou eficaz.

Num registo, de todo, fidedigno ao conteúdo das muitas entrevistas, “a vida” de António Badajoz foi compartimentada em assuntos dominantes, como o percurso desde o nascimento até ao interesse pelos toiros, a prova de praticante e a alternativa, ou ainda os matadores de quem foi bandarilheiro e os cavaleiros para quem foi, para uns, bandarilheiro e apoderado, para outros só apoderado. Mas, mesmo nos temas mais explícitos, tentou-se trazer a público aspectos menos conhecidos ou mais esquecidos. Alguns apontamentos sublinham outros momentos fulcrais na carreira de António Badajoz, como a escola de mestre Suzana, a tournée dos bandarilheiros e a escola de Coruche.
 
Os objectos são poucos porque a própria história preenche, queremos nós acreditar, o imaginário do visitante. Os dois trajes – o primeiro e o último -, a vitrina com a montera e as figuras/imagens religiosas, recriando naquele espaço exíguo a fé e devoção de António Badajoz; os troféus, comprovam um percurso profissional sólido e reconhecido.
 
António Badajoz é a história do homem que se confunde com o toureiro, mas também um trajecto pela história da tauromaquia de Coruche.
 
Finalmente, é também através de António Badajoz que se trilha caminho em direcção ao Núcleo Tauromáquico de Coruche. Com a exposição António Ribeiro Telles. 25 anos de Alternativa demos os primeiros passos – pensar o espaço, condicionantes e adaptações a fazer, que possibilidades museográficas. Agora, mantendo uma estrutura em muito semelhante à exposição anterior – até porque o próprio conteúdo e metodologias o são, a comemoração, a biografia – definimos já o sistema de luminotecnia, grande parte do percurso expositivo, o pequeno auditório.
Com António Badajoz apresenta-se já o logotipo do Núcleo Tauromáquico de Coruche, bem como um projecto estrutural, em termos museográficos, solidamente implantado e recebido pelo público.
 

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Jornal da exposição disponível no Centro de Documentação

Actualizado em Quinta, 25 Fevereiro 2016 16:03