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Núcleo Tauromáquico de Coruche | NTC 
 

Desde há alguns anos o Museu Municipal tem vindo a dedicar-se ao estudo da temática da tauromaquia. Inicialmente com alguns estudos mais pontuais, mas nem por isso menos importantes e relevantes, e agora, em 2010, com a implementação do Núcleo de uma forma sistemática e contínua.

O primeiro trabalho desenvolvido, que data de Março de 2005, foi a produção de um relatório intitulado Inventário do Património Tauromáquico de Coruche. Este registo produzido pelo MMC faz, de um modo abrangente, uma abordagem à história da tauromaquia no concelho e, mais concretamente, ao historial das praças de toiros de Coruche, com maior incidência na actual praça.

Depois, em Agosto de 2006 é inaugurada a exposição evocativa do 35.º aniversário do Grupo de Forcados Amadores de Coruche. É constituído um corpus de documentação, com especial enfoque na fotografia, e são recolhidos testemunhos dos intervenientes nessa história. Em Março de 2007 é promovido um colóquio, onde é apresentado o DVD interactivo Forcados Amadores de Coruche. Em 2008, já no edifício que alberga hoje o Núcleo, é apresentada a exposição António Ribeiro Telles. 25 anos de alternativa; no mesmo ano o museu promove um colóquio sob o mesmo título e apoia a publicação António Ribeiro Telles. Uma fotobiografia, lançada em Maio de 2009. Nesse ano de 2009 é a vez de António Badajoz. Foram duas exposições que resultaram de propostas feitas à Câmara Municipal, no sentido desta se associar às comemorações das respectivas alternativas, desafio que foi aceite e concretizado.

Planta da praça de      Vista aérea de Coruche|Anos 30      Picaria em frente à vila no rio Sorraia|Anos 50
toiros|1918
 

Desde o início que a constituição do Núcleo Tauromáquico foi pensado como um projecto integrado e contínuo. Seguindo o título e a ideia subjacente ao relatório Inventário do Património Tauromáquico de Coruche a investigação tem-se pautado por inventariar, registar, estudar e, finalmente, apresentar ao público o património tauromáquico do concelho. Dessa forma, a investigação consiste essencialmente na recolha de testemunhos de pessoas que têm algo para contar acerca deste património e que dele fazem parte; através de entrevistas são elaboradas histórias de vida, tendo como cenário principal Coruche. São estas histórias de vida - contadas na primeira pessoa -, no que elas têm de mais individual, mas também muito nas suas confluências e até nos desencontros, que vão esboçando a história da tauromaquia no concelho. Fundamentais também para este processo são os textos; neste caso é obrigatório sublinhar o contributo de Francisco Santos Silva, ao qual devemos grande parte da produção escrita sobre tauromaquia em Coruche e onde, obviamente, fomos estudar para construir esta exposição.

A recolha e inventariação de documentos gráficos, maioritariamente fotografias e cartazes, elementos fundamentais deste processo, permitem despertar memórias de acontecimentos já esquecidos que, de repente, são recuperados através de uma imagem; permitem também localizar, no espaço e no tempo, os percursos das pessoas quando, por exemplo, um cartaz nos revela uma data de alternativa. Os objectos materializam momentos fundamentais, como o troféu de uma temporada ou de uma corrida, mas também os quotidianos quando falamos de selas e estribos, das bandarilhas e dos capotes ou da tourinha.

É na intersecção de todos estes conjuntos de elementos a serem observados, interrogados e preservados que surge o conhecimento sobre eles próprios e sobre a história da tauromaquia em e de Coruche.

Todas as anteriores exposições, edições e colóquios em torno da tauromaquia ajudaram a solidificar a caminhada até à inauguração do Núcleo. Agora, no espaço emblemático que durante cerca de meio século albergou os CTT, surge o Núcleo Tauromáquico de Coruche.

Esta exposição é o mote para um projecto que se quer, em conjunto com a comunidade, construir: o conhecimento e fruição desta temática.

Actualizado em Sexta, 24 Fevereiro 2017 16:35