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A ICONOGRAFIA DAS GEMAS ROMANAS (1)
 

A arte de gravação de gemas (pedras preciosas e semi-preciosas) deverá ter nascido com a necessidade de autenticar a propriedade de objectos ou documentos, quer fossem oficiais ou particulares. Terá sido essa a função inicial dos escaravelhos e entalhes (ambos gravados por incisão), cuja face gravada, pressionada sobre papiro, tabuinhas enceradas ou lacre, imprimiam o selo pessoal do seu proprietário, isto é, o seu sinete. Já os camafeus (gravados por desbaste, em camadas) que apresentam figuras políticas teriam como principal objectivo a propaganda política.
 

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Escaravelho (frente e verso, inscrição, de Ammaia), entalhe (Eros a cavalo, de Coimbra) e camafeu (imperador Lúcio Vero, do Museu Quinta das Cruzes)

 

Com o tempo, porém, e já no Império Romano, entalhes e camafeus eram tidos como objectos de prestígio e tornaram-se autênticas obras de arte. Engastados em colares, brincos, anéis, pendentes, alfinetes de peito, braceletes e diademas, eram usados pelos próprios Imperadores – quer como ornamento das insígnias imperiais (ceptros e diademas) quer do próprio vestuário. Para as mulheres eram mesmo um ornamento pessoal indispensável.

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Anel (golfinho), par de brincos (Erotes), medalhão (Erotes vindimando)

 

Para além disso, passaram a ser também usados como amuletos, para protecção de homens e animais (pelas pedras em si, a que eram atribuídas virtudes mágicas, e pelos motivos e/ou inscrições nelas representados)                                                                                                                                                                                        

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Invocações mágicas, em grego         

 

                 Gryllos – figuras fantásticas formadas pela combinação de elementos de seres diferentes
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  Náutilo de cujo interior sai um prótumo de elefante, segurando na tromba uma tocha


  Cabeça de Pan e máscara de Sileno (formando o crâneo) sobre patas de galo

    

                                                                                                                                                                                                      

Já a gravação de uma divindade poderia referir-se à preferência religiosa do seu portador (como a Minerva representada no entalhe de Águas Belas, Coruche, ou uma divindade oriental) e à crença na sua protecção contra doenças ou como garante de prosperidade e fertilidade.

  alt Ísis segurando sítula e sistrumaltMinerva perante um troféu de armas

 

Mas viriam também a ter um carácter simbólico, consoante o motivo nelas gravado – nupcial, augural, funerário, religioso ou de propaganda política (neste último caso, sobretudo nos finais da República e também nos inícios do período augustano).
 

altdextrarum junctio – símbolo nupcial          Símbolos judaicos

 

E, a certa altura, após o reconhecimento do Cristianismo como religião oficial do Império, apresentar símbolos cristãos.

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                  Cruz grega                Fragmento de anel em âmbar com crismon (X e P)

 

 (1) Agradecemos à Doutora Graça Cravinho a partilha destes conteúdos.
Mantivemos o texto no anterior acordo.

 

 

 

 

 

 

Actualizado em Terça, 07 Março 2017 13:22