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Ano 10 | Março/Abril  2012 | Edição bimestral 1


EDITORIAL

Demos agora início às Tertúlias do Núcleo. Momentos de encontro para conversar sobre tauromaquia. Conversas entre gente dos toiros, mas de porta aberta a toda a comunidade.
Neste bimestre recordamos a importância das alfaiatarias. Ir ao alfaiate... costurar roupa por medida. Um ofício que recuperamos com base no acervo incorporado no Museu.
Decorrente da exposição O mar em... Coruche, saiba que agora Há peixes no Museu! Venha descobri-los e admirá-los.
Percorrendo as freguesias do nosso concelho descobrimos o quanto de especial elas têm para contar a nossa história. Saiba como…
Em Abril convidamo-lo a participar do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios e a assistir à passagem do documentário Longe de Abril.



Caminhos de terra… construções em pedra: o megalitismo em Coruche

Termina no próximo dia 10 de Junho a exposição temporária Caminhos de terra… construções em pedra: o megalitismo em Coruche.
No seguimento de uma parceria realizada com o Museu Nacional de Arqueologia estão expostos, pela primeira vez, uma série de objetos recolhidos entre 1931 e 1934 no concelho de Coruche, pelo Prof. Manuel Heleno. São testemunhos de um conjunto de rituais praticados pelas comunidades agropastoris que habitaram esta região entre o 5.º e o 3.º milénio a.C. Ainda, o uso de materiais multimédia no discurso expositivo permite ao visitante a exploração do megalitismo de Coruche no contexto paisagístico, bem como tomar contacto com o processo construtivo destes monumentos.



Núcleo Tauromáquico de Coruche – Tertúlias do Núcleo

Na prossecução dos objetivos do Núcleo Tauromáquico de Coruche, durante o período do defeso fazemos a ponte para a nova época procurando problematizar, questionar e refletir sobre diferentes aspetos da nossa cultura tauromáquica e, desta forma, contribuir para o seu maior aprofundamento e divulgação.
Nos meses de março e abril trazemos à liça quatro temas distintos: Toiro Bravo; Cavalo de Toureio; Tauromaquia: Património Imaterial; Matador de Toiros: Que Futuro em Portugal?
Contamos com a colaboração de diversas personalidades que aceitaram partilhar os seus conhecimentos e refletir em conjunto sobre os assuntos agendados. Para cada painel, identificado no quadro, temos ainda a colaboração de reconhecidos agentes do meio taurino que dinamizarão as sessões enquanto moderadores.
Participe da calendarização proposta e acompanhe-nos através do nosso site nas Atividades em destaque.



Há peixes no Museu!

De 17 de março a 22 de abril Há peixes no Museu! Este é o nome da mostra, que conta com um conjunto de trabalhos realizados pela turma C do 5.º ano da Escola Básica Dr. Armando Lizardo, decorrente da visita à exposição O Mar em... Coruche, que esteve patente no Museu no último trimestre de 2011.
É certo que o grande mar que foi o atual estuário do Tejo, herdeiro da grande subida do nível das águas do mar, ocorrido há 5000 anos, incluía também o vale do Sorraia. Mas nas nossas memórias e na nossa vida é o rio que está ligado a Coruche. O Sorraia, onde “aprendemos a nadar, a pescar, a amar; por ele chegaram e partiram as embarcações ao longo dos séculos, com ele regamos e fertilizamos os campos, com ele sofremos inquietações das grandes cheias navegando as ruas de Coruche em vigílias noturnas entre o recreio e a euforia.” (1)
Partindo das excelentes fotografias subaquáticas de Alexandre Grácio, que nos mostraram a vida nos mares, chegam-nos agora os desenhos da vida no rio. O que agora expomos é o resultado de um trabalho cuidado realizado em âmbito escolar e orientado pelos professores Manuela Fonseca e Vítor Zacarias. Durante um mês os peixes do rio vão povoar o Museu, tendo uma vista privilegiada sobre o Sorraia. Venha descobri-los e admirá-los!
Apresentamos também a história vencedora do desafio lançado na exposição O Mar em... Coruche, cujas fotografias foram o ponto de partida para mergulhar no imaginário de cada um.
Ana Margarida Coelho e Margarida Domingos foram as autoras de “Encontro com uma tartaruga numa tarde de Verão”, história que será transformada num pequeno livro ilustrado por Helena Diogo. Parabéns às duas.

(1) Mendes, Dionísio Simão – “Abertura”, in Vagas Leves: rostos do rio, Coruche, Museu Municipal, 2003



Roteiro das freguesias – Descobrir, vendo e ouvindo!

De mapa na mão partimos à descoberta das freguesias do concelho de Coruche, percorrendo os caminhos que as ligam, em horizontes de paisagens verdejantes, salpicados por casas caiadas e pelos pássaros que esvoaçam e pintam os céus. No percurso fomos descobrindo que as árvores não são todas iguais, que cada lugar conta as suas histórias, guarda lendas antigas e nos ensinam costumes de outras épocas.
Esta viagem na nossa terra, uma parceria entre o Museu e o Agrupamento de Escolas de Coruche, tem como objetivo dar a conhecer às crianças o concelho onde habitam, estimulando os sentidos, sobretudo o ver e o ouvir.
Cada freguesia, através da sua riqueza ecológica ou da importância do seu património cultural, contribuiu, nesta viagem, para o conhecimento da história do território que habitamos, permitindo descobrir que o concelho é um todo, repleto de histórias e lugares maravilhosos que importa aprender a conhecer e respeitar.
As turmas do terceiro ano da Escola Básica de Coruche já viajaram e descobriram as freguesias. A viagem fica agora aberta a outras escolas e a outros anos.



Documentário Longe de Abril

No âmbito da comemoração da Revolução de 25 de Abril de 1974, o Museu propõe aos alunos do Agrupamento de Escolas de Coruche a visualização do documentário Longe de Abril, que dá conta não só do registo feito, em 1975, por Fausto Giaccone, durante a Reforma Agrária no Couço, como do regresso do fotógrafo italiano 35 anos depois ao mesmo local, reencontrando alguns dos protagonistas desses acontecimentos.
Nesta sessão estarão igualmente presentes o jornalista e co-realizador do documentário, Paulo Galvão, e Ana Silva Rodrigues, diretora da produtora Mínima Ideia, responsável pela produção do projeto, dispondo-se a responder a todas as questões e dúvidas que possam ser colocadas pela assistência.
Uma oportunidade de “espreitar os bastidores” e as múltiplas tarefas necessárias à montagem de um documentário desta natureza. É um momento de aproximação dos mais jovens à realidade local num período da história recente do nosso país, sobre a qual alguns terão já ouvido o testemunho de familiares próximos, oferecendo aos alunos uma experiência duplamente enriquecedora.

Aberta a toda a população, haverá igualmente uma sessão deste mesmo documentário, Longe de Abril, na tarde do dia 25 de Abril, no Auditório do Museu Municipal de Coruche. A entrada é gratuita.



Peça do Bimestre – O alfaiate

São da Antiguidade Clássica as mais recuadas referências à existência de pessoas cuja profissão é confecionar vestuário.
Do árabe al-haiiât, este era, até determinada altura, um ofício eminentemente masculino, pelo que apenas no século XVII aparece a figura da costureira, algo que em Portugal só existirá a partir de finais do século XVIII. Todavia, a entrada das mulheres nas alfaiatarias não se fez sem que houvesse uma acérrima oposição dos alfaiates.
O processo de aprendizagem deste ofício era iniciado em tenra idade, por volta dos 12/13 anos. Os candidatos a alfaiate, normalmente impelidos pela prossecução de uma herança familiar, começavam por realizar tarefas simples, como molhar as fazendas, entretelar, fazer golas, mangas e bolsos de calças e casacos, mas também faziam pequenos recados e entregavam as encomendas em casa de alguns clientes. A observação e repetição do saber fazer dos mestres alfaiates era a base de toda a aprendizagem. A última fase de todo este processo era o saber cortar. Existiam, aliás, cursos de corte, por exemplo em escolas de alfaiataria em Lisboa. Nestes cursos ensinava-se a tirar as medidas, a usar os moldes, assim como a efetuar cortes e feitios de roupa específicos.
Era este um serviço altamente personalizado, existindo uma relação muito próxima e, pode dizer-se, de alguma cumplicidade, podendo o alfaiate disfarçar, dando uso à sua arte, alguma assimetria do corpo do seu cliente.
Porém, a vulgarização e difusão das lojas de pronto-a-vestir, nos anos 70 e principalmente durante os anos 80 do século XX, fez decair de forma drástica a procura dos serviços de alfaiataria, logo encarecendo este serviço por medida, ao qual recorrem apenas alguns e a maioria somente em ocasiões especiais.
As peças que por ora expomos e que integram o acervo do Museu, tendo pertencido a alfaiates de Coruche, existiam em todas as casas de confeção de roupa por medida, as alfaiatarias.

Actualizado em Terça, 20 Março 2012 17:26