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S. Pedro - entre o Céu e a Terra

A exposição temporária S. Pedro – Entre o Céu e a Terra surgiu num cenário decorrente da intervenção arqueológica de emergência realizada em 2001, junto à Igreja de S. Pedro, no centro histórico da vila de Coruche, onde foi possível identificar a ocupação antiga do local, nomeadamente romana, bem como estruturas medievais e modernas, estando estas associadas a um vasto espólio cerâmico, numismático e osteológico. De entre as peças encontradas destacamos a presença de um sino, datado de 1287, o mais antigo exemplar conhecido, até à data, em território português.


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Fotos: Nerve design

Dada a importância arqueológica, histórica e antropológica do sino medieval aqui descoberto, entendeu-se dar-lhe um lugar de destaque ao longo da exposição, relevando essas mesmas facetas. Encaminhava-se assim, o visitante, para a descoberta de um espaço mais “reservado”, mas onde as aplicações multimédia também tinham lugar. Num ficheiro áudio podiam ser seleccionados, pelo visitante, vários toques sineiros correspondentes a diferentes situações ainda presentes no nosso quotidiano.

A exposição foi assim pensada segundo um critério cronológico. O visitante percorria o espaço expositivo apreendendo os vários momentos de ocupação do sítio, tendo, para esse fim, sido utilizada uma paleta de cores fortes e esteticamente apelativas, que criavam empatia no público e que, simultaneamente, referenciavam as diferentes fases de ocupação do sítio de S. Pedro. Foi igualmente dada especial atenção às imagens utilizadas nos diversos painéis, havendo o cuidado em escolher fotos e desenhos que, depois de sujeitos a um trabalho gráfico, permitisse ao visitante uma leitura agradável da informação que se lhe pretendeu transmitir.

Nesse intuito foi igualmente construído um filme, recorrendo a tecnologia tridimensional, que se encontrava inserido no percurso expositivo, que apresentava a reconstituição das várias fases de ocupação do local intervencionado.
 
Mas, porque se tratou de uma exposição de carácter essencialmente arqueológico, não pudémos deixar de apresentar ao visitante todo o trabalho de “bastidores”. Foi por isso dado destaque ao contexto de escavação e ao subsequente trabalho de laboratório, presente, aliás, em todo o discurso expositivo. Para tal, recorreu-se ao uso de fotografias da escavação, plantas e perfis estratigráficos, tendo sido criada também uma pequena galeria de imagens que permitiu uma leitura sequenciada das várias fases dos trabalhos arqueológicos.

Foi, ainda, no seio deste discurso expositivo, pensada a recriação de uma sondagem arqueológica tendo por base um tanque cheio de bolas coloridas. Aqui, puderam os “pequenos arqueólogos”, no contexto do atelier “Arqueólogo por um dia”, recolher fragmentos de três réplicas de peças, iguais às que se encontravam nas vitrinas, e proceder à sua colagem, contextualização e interpretação.

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Dado o número significativo de peças de jogo medievais/modernas encontradas no sítio de S. Pedro, foi também pensado um cubo, com um tabuleiro de dupla face, onde o visitante teve à sua disposição os jogos do Alquerque e do Moinho.

Igualmente o moroso trabalho de laboratório e de conservação foi tratado no percurso expositivo, existindo, para tal, um ficheiro (em flash) com a colagem de uma bilha, peça presente na exposição.

Um outro elemento multimédia integrado no percurso expositivo reportou-se à romanização no concelho de Coruche. Trata-se da edição de um CD-Rom interactivo, lançado a público em 2007 pelo Museu Municipal de Coruche, e que, não tendo sido construído expressamente para esta exposição, a veio a integrar. Os conteúdos referentes à temática em questão, mas também o seu carácter didáctico – presente nos jogos sugeridos –, fizeram dele um importante elemento para a compreensão dos achados da escavação de S. Pedro, indissoluvelmente ligados à presença romana no Vale do Sorraia, conteúdo, este, tratado na exposição de longa duração deste museu: O Homem e o Trabalho - A Magia da Mão.

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Na concepção da exposição foram definidos como objectivos principais privilegiar o trabalho de escavação, porquanto na investigação arqueológica a mesma ocupa um lugar importante na construção do conhecimento e, consequentemente, o trabalho de laboratório na vertente de conservação e restauro dos materiais. Paralelamente teve-se como objectivo a construção de um discurso expositivo cronológico, que contásse a ocupação do espaço intervencionado, e que nos conduzisse ao ex libris da mesma: o sino medieval da Igreja de S. Pedro.

Ficha técnica da exposição
 
Actualizado em Quinta, 17 Março 2011 17:04